Homem estátua

Março 27, 2008

Hoje apetece-me ser o homem estátua

Forrar-me de branco imaculado, por dentro e por fora,

E permanecer imóvel na rua augusta,

Ou noutra rua qualquer.

Teria tempo para pensar na vida

E reflectir sobre as minhas opções

Podia até desprender-me do meu corpo

E voar para ver o pôr-do-sol dos amantes

Encher a minha alma de energia

E degustar pensamentos banais…

Consegue-se viver sem amor?

Para que correm as pessoas? Porque trabalham tanto?

Posso trocar a minha vida pelo sorriso de uma criança?

E pela felicidade dos outros? Eu importo?

Pode-se recuperar um amor traído?

Não que queira saber as respostas, já as decidi todas.

Quero é esquecer-me da face racionalista lógica

Que não permite a felicidade, mas garante eterna estabilidade,

De uma existência cómoda, agradável e socialmente correcta.

Mereço tudo o que não me acontece.

Devia considerar um preço barato

O de não ter pecados a confessar.

Poder caminhar à vontade na rua augusta

Ou noutra rua qualquer

E agradecer ao homem estátua

Este pensamento insano, e sorrir-lhe.

 

O teu amor

Março 26, 2008

Ser amada alimenta-me,

Mas só o teu amor me satisfaz.

Saudade

Março 25, 2008

Devia ser proibido sentir saudades!!!!!!  Devia dar direito a multa. A vida é para a frente e não para trás. Sentir saudades é ócio e se for durante o período de trabalho afecta a produtividade! Não queremos ter um País de empreendedores? O Governo é que ainda não se lembrou disto, depois da caça aos noivos, ainda vamos ter que declarar o número de pensamentos ociosos que temos durante o horário de expediente…E quem ouvir dos outros frases como ‘apetecia-me estar  na praia’, ou ‘na hora de almoço tenho que passar no Banco’, ou mesmo ‘amanhã é sexta-feira’, ganha um prémio de compensação por incriminar os colegas.

Só sentimos saudades das coisas boas. Porque sentimos saudades? Das pessoas, de coisas, de cheiros e sabores. Hummm, lembro-me de um certo aroma que me deixa inebriada…

Deve ser porque importa saber de onde vimos para decidir para onde queremos ir, caso contrário podemos não sair do mesmo sítio e isso é mau, ou não? Às vezes também estamos bem onde estamos e não queremos ir a lado nenhum, e isso é bom.

Mas esta filosofia barata não interessa para nada, toca mas é a a bater nos professores com o telemóvel que é para aprenderem!!!

Descobri que gosto de vinho do porto. O vintage, que de outro ainda não tive a ousadia de provar. Sempre o considerei uma bebida típica das pessoas antigas. Nunca tinha sequer provado.

Continua sem hipótese de concorrência com uma marguerita, o baileys ou o clássico gin tónico. Mas tem os seus momentos mágicos. Como é possível só agora ter percebido? Será que estou a ficar antiga? Prefiro pensar que faz parte da evolução normal do palato.

Portanto isto significa que amanhã posso deixar de gostar de morangos?

E quando me olho no espelho devo perceber que afinal não sei tudo acerca de mim…

Vivendo e aprendendo.

Filé Mignon

Março 24, 2008

Porque as coisas boas da vida não devem acabar.

Uma nova via de existência é sempre possível.