Homem estátua
Março 27, 2008
Hoje apetece-me ser o homem estátua
Forrar-me de branco imaculado, por dentro e por fora,
E permanecer imóvel na rua augusta,
Ou noutra rua qualquer.
Teria tempo para pensar na vida
E reflectir sobre as minhas opções
Podia até desprender-me do meu corpo
E voar para ver o pôr-do-sol dos amantes
Encher a minha alma de energia
E degustar pensamentos banais…
Consegue-se viver sem amor?
Para que correm as pessoas? Porque trabalham tanto?
Posso trocar a minha vida pelo sorriso de uma criança?
E pela felicidade dos outros? Eu importo?
Pode-se recuperar um amor traído?
Não que queira saber as respostas, já as decidi todas.
Quero é esquecer-me da face racionalista lógica
Que não permite a felicidade, mas garante eterna estabilidade,
De uma existência cómoda, agradável e socialmente correcta.
Mereço tudo o que não me acontece.
Devia considerar um preço barato
O de não ter pecados a confessar.
Poder caminhar à vontade na rua augusta
Ou noutra rua qualquer
E agradecer ao homem estátua
Este pensamento insano, e sorrir-lhe.